sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Poemas



Olavo Bilac



Um beijo
Foste o beijo melhor da minha vida, ou talvez o pior...Glória e tormento, contigo à luz subi do firmamento, contigo fui pela infernal descida! Morreste, e o meu desejo não te olvida: queimas-me o sangue, enches-me o pensamento, e do teu gosto amargo me alimento, e rolo-te na boca malferida. Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo, batismo e extrema-unção, naquele instante por que, feliz, eu não morri contigo? Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto, beijo divino! e anseio delirante, na perpétua saudade de um minuto....
"Benedicite"
Bendito o que na terra o fogo fez, e o teto E o que uniu à charrua o boi paciente e amigo; E o que encontrou a enxada; e o que do chão abjeto, Fez aos beijos do sol, o oiro brotar, do trigo; E o que o ferro forjou; e o piedoso arquiteto Que ideou, depois do berço e do lar, o jazigo; E o que os fios urdiu e o que achou o alfabeto; E o que deu uma esmola ao primeiro mendigo; E o que soltou ao mar a quilha, e ao vento o pano, E o que inventou o canto e o que criou a lira, E o que domou o raio e o que alçou o aeroplano... Mas bendito entre os mais o que no dó profundo, Descobriu a Esperança, a divina mentira, Dando ao homem o dom de suportar o mundo!

Um comentário:

Andréa disse...

Boas escolhas. Mas não entendi por que vocês não postaram os sonetos com a estrutura usual: as linhas representando cada verso e as divisões em estrofes. É importante lembrar que a forma era fundamental para os poetas parnasianos.